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abril 13, 2011

no Vazio




Existe em mim
mulher
força bruta
Caterpillar, tracção às quatro
derrapagem

buracos negros
seduções
E ouço as quatro estações de Vivaldi
E acordo com elas agarradas ao meu ventre
sedento

impregnadas de hormonas
latentes do dia anterior
e um néctar secreto de frutos
com cheiro a flores silvestres

corpo e cálice de vitória
cúmulo do ego Tradicionalmente Proibido
e um desprezo assumido
pelo chá das cinco
e outras coisas mais
acompanhado pelas bocas pálidas
das senhoras de Cascais

um depósito,
triagem de ternura
que se espalha ao vento
com cânticos de amor rindo-se sem reservas
de coisa nenhuma

tenho a dor do parto
do óvulo que se renova
do osso que me dói

um centro da terra por explorar
um Júlio Verne
que tarda
e uma folha de papel em branco
que contrasta com borrões de cinza
e rascunhos
rascunhos
de mim

Sou uma jaula aberta
de pernas fechadas
cheias de fertilidade
no vazio


(Naf)

(13/04/2011)

abril 08, 2011

Barco sem remos



Houve mais luz esta tarde 
Na árvore Perto do barco abandonado
Onde o rio parou para sempre

as águas agitadas
se acalmaram à tua chegada

e os átomos fizeram tréguas
estabelecendo a paz mundial
em carreiro de formigas

Barco sem remos
E o chão cúmplice de suspiros
instrutores do amor

E todas as máscaras caem
ao som da alegria de Deus

a apetência do abraço
onde tudo se move ao contrário
não nos denuncia

Hum! Se eles soubessem
Do sal que trocámos na pele
ao tentarmos apanhar as gaivotas

falámos de tantas coisas
lembras-te?
E o canto de um pássaro migrador
que nos perseguia
Foi tema de conversa

indagámos se o seu chilrear
seria fome, perigo
sedução
ou porque estávamos ali

Estávamos
barco sem remos




(Naf)
08/04/2011