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julho 04, 2019

Criação I

Meritíssimo
Peço-lhe que tenha em consideração
A minha voz,
Não sorvo ervas daninhas
Nem me lembro 
Dos cardos zarolhos
Que são cena de gatilho sem cravo
Tracem-me um abraço previdente
Pois sou ser que não habita 
Em rede de peixe comum
Puseram-me antenas e devastadoras
Etiquetas de grinalda 
Com código de barras para quem quisesse ver 
Aos poucos tentaram invadir as
Larguras do infinito 
Sem contar com a ré ao pagamento 
Das suas próprias mãos
Pois sim, agora sou eu que me cruzo
Em caso de dúvidas 
Absolva-me.
Despeje o coração
Nas palavras
Pois sou mulher
Em construção.
E sismo de magnitude
Elevada.

Naf

[Quaisquer coincidências com a ficção são pura realidade.]

março 17, 2014

Ponto de luz



Se regressar,
será aos teus olhos
por acaso ardem nos lábios,
coincidências?
como os acasos ardem para sempre
E, a outro rio
sob outras sombras, regresso
devagar, para que as margens não morram
como morri de outras vezes
E choro como quem procura
grito como quem lambe os sentidos
suspensos na tua boca
Arranquei os meus olhos para ti
que ao longo do teu corpo viviam
e morriam, todas as estrelas
A noite essa, partira
devagar acordo-te.


©Naf
17/03/14




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janeiro 17, 2014

oxigénio




tentei fugir-te na noite
mais escura que há na solidão
antevi a lonjura dos nossos beijos,
desisti.
era como a dor de morrer
e ficar sem sepultura
bebi dos quartos interiores
a loucura de não poder ficar longe de ti
procurei-te à noite
e à noite saí, bebi dos teus beiços
o cheiro a fruta que veste de frescura
a escuridão
só dentro de ti rebentam todas as ciências
do oxigénio, tricotado a segredos
só dentro de ti se levanta em alta voz
o que sem som, brota do coração.


©Naf
6/2013




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julho 24, 2013

Aurora boreal



dá-me um colo onde possa adormecer nua
nesse lugar onde os lírios cantem
e te saibam sempre por perto

a gosto de aninho entre os teus dedos
e onde guardarás numa caixinha
o beijo repetido nas palavras

dá-me mãos inteiras que se multipliquem no tacto
e uma manhã e outra
de suor como se fosse dilúvio

e eu dar-te-ei um aconchego
do tamanho de uma casa.
e retirar-te-ei as asas fartas da solidão

Vamos! gastemos depressa o tempo, perca-mo-nos
que o mundo nos caia para dentro do silêncio
que lá fora a realidade é o nosso espaço, por inteiro.



Naf
(26/05/2013)


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maio 28, 2013

Dando olhos a beber















Primeiro foram as mãos
que me disseram que ali havia gente
de verdade

Depois fugi-te
pelo corpo acima
e medi-te na boca a intensidade

Atrevi-me a mergulhar
no teu cabelo e senti um arrepio
como se ambos parássemos o tempo

Percebemos num minuto
a vida inteira
sentindo nas veias um fogo em movimento

e desfolhamos as páginas
que o desejo nos abre.
Só dois perfeitos idiotas podem amar,

como nós amamos!

Entre amuos e teimosias
e essa saudade que nos impede
de respirar.



(Naf)
17/05/2013

maio 08, 2013

sossego



há palavras
que nos beijam
como se fosse nossa a noite.

dentro do sol
teus finos cabelos
descobri, e passos
inventados gerei
no caminho do sonho

aqui,
onde um grito surdo
nos incendeia dormem os ecos
de todas as despedidas.

há palavras
resgatadas dos silêncios,
aqueles que nos são voz.


Não minto à emoção,
o meu coração é regozijo.


e só me calo
quando adormeço
no teu ventre,
e vens directo à minha sede
de nós.


(Naf)
08/05/2013









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abril 25, 2013

o odor das nuvens



inútil
é o despertar
sem ti

e

sem as begónias
que tecemos
na língua

inútil
é a razão
sem asas
nem
o odor das nuvens
mais altas

da tua pele

a tua face
é o meu atalho
para o beijo

e
na tua boca
sacio
a minha sede

inútil
é o plano sem dorso
e a venda sem alma

e o medo e a dor
e
a rede que embaraça
todos os sonhos.


(Naf)
10/04/2013





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março 27, 2013

além do óbvio


Há uma brecha
nessa gruta inconfessa
que é o teu coração

nesses minutos
que escorrem mudos
mastigo olhar
após olhar

e disponho as horas
como bolhas
de sabão,
pupila dilatada

Sonho-nos,
cultivando luares
nas estrelas coloridas
do nosso tecto

alto cúmplice

e impregno-me
dessa tua seiva que me escorre
nas veias

nada vejo
além do óbvio



(Naf)
25/03/2013




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março 05, 2013

Guardar





Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que de um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.



(Antonio Cícero)



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janeiro 07, 2013

brevidade



é tempo
de hastearmos a voz
em ondas
de tenra bravura

soprar à tela
cor forte, ecos enlaçados
E uma faúlha luzente

que não se extingue

trilho de angras
e ermidas brancas. e
essa tua fragrância que segrega
os sonhos.


(Naf)
19- 12- 12

(Imagens: Alberto Seveso)



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dezembro 21, 2012

Dádiva


Antes de Ti
tudo eram sombras,
vã memória

elevaste-te
em hino de amor
perfume de cultivo
Gentil

Desceste
na carne, sorriso
e manto perene
de esperança
Teceste.

Aos teus pés
o azul prostrado
rendido, e o sangue
como o sorriso das flores

derramando,
claridades perpétuas.


(Naf)
21- 12-2012

Com o desejo de um Feliz Natal para todos os amigos e seguidores do Oficina.



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novembro 28, 2012


Hoje as pálpebras
caem-me caducas
qual folhas de outono.

finda a estação, anuncio:
Felizmente, não são de cristal!


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agosto 28, 2012

dança comigo

é preciso
ancorar o sol
nas asas dos nossos olhos
mudos

e soprar
as pétalas que se foram
antes do sorriso
nascer incólume

são emoções que
nos avassalam prestes a cair

e dúvidas
tais como razão e eternidade
emudecem-se
múmias de nós

só a trave
que nos arregaça a língua
parece lembrar-me o entardecer

das gaivotas
quando o céu navegava
nos nossos olhos


(Naf)
28/08/12

(Foto: The ballerina project)

maio 04, 2012

ashes















part of me
whole body
runs
through your fingers
still hot
trying to embrace the sun
as
the dawn
slowly
bring back
the crown jewel
made of ashes
is what remains
my blue rose
that loved you
hopelessly
and still loves
even without be able
touch
the sky of my mouth


(NAF)
27/07/11

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barcos de papel



dá-me
essa asa colorida

e um coração
sempre aberto

à passagem do
amor

perdoa-me
a nuvem cinzenta

e aos cristais
que caem sem o saber
celebrar

ensina-me
o repouso e
a perfurar as
faces de pedra

nação sem astro
rei


(Naf)
02/05/12

abril 29, 2012

Bloomed Wing








.








I wanted to have
in the tip of my tongue
that bloomed wing
opening at the passing
wind
and a sunflower always
attentive
to the light of your countenance
I know nothing is certain
in this sea of petals where
I fall asleep and all I ask
even when not knowing what I should
is a lighter beat
a longer dream
a denser
look
or rather madness
of me

(Naf)

Translation- Luiza Melancia
Painting- Adam Hosmer


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abril 23, 2012

The Flight













I see you
I see you on the trees
in full moon gestation
I see you
in the geese and in the eagles
on the mountain cliffs
in the cloud
that goes by
cotton candy traveler
amidst the blue ceiling
filled with you
filled with us
I see you
above our heads
on the noxious weeds
rabbit’s burrow
And I see you
on the dustcovered wagon’s cartwheel
rain of tears
yours and mine
ours
filling the whole ocean
with the breath of your joy
my oxygen

(Naf)

Translation by: Luiza Melancia

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abril 11, 2012

múmias de nós















é preciso
ancorar o sol
nas asas dos nossos olhos
mudos

e soprar
as pétalas que se foram
antes do sorriso
nascer incólume

são emoções que
nos avassalam prestes a cair

e dúvidas
tais como razão e eternidade
emudecem-se
múmias de nós

só a trave
que nos arregaça a língua
parece lembrar-me o entardecer

das gaivotas
quando o céu navegava
nos nossos olhos


(NAF)
10/04/2012

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janeiro 28, 2012

luar plural












cobri-te
de organismos prevaricados
sem registo prévio

desatei o nó da forca
aconchegado
nas auréolas dos vasos sanguíneos

deitei fora a memória

o teu cérebro de feto
assombrado pelas garras de
ternura dilacerado
levei-o às margens do amor

e sem tréguas nem orgulho
banhei-te no riso
da lua plural da tua mão
na minha

sem a ciência
dos remédios santos


(naf)
24/01/12


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