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abril 05, 2011

Hipotético ou talvez não


Hipotético é o sentido
Da vida em que me deito

novo dia e poente
se enlaçam
como Casal perfeito

logótipo improvável
da ignorância
voluntária recorrente

Murmuram anjos aleatórios
Compenetrados na lúgubre
função concedida do segredo
intrínseco ao Homo Sapiens
por tempo indeterminado
o propósito genético
espalha partículas
do imperceptível
analógico e comprovado

e à mesa os discursos
disparatados mas imprescindíveis

tentou assim Da Vinci na sua sorte
e Darwin nas suas convicções
angariou vozes rocas
de horizontes limitados
acompanhados de conhaque


terras firmes da mente
impulsionam
altos voos
e no hipotético de hoje
repousaremos amanhã
ao celebrarmos novas rodas
e habitarmos em casas
novas
no Céu.


(Nsf)
05/04/2011

Povoação



Povoação Sem Nome
teus amores
são como rio
que não seca

cascata melódica
onde ninfas anónimas
habitam

dominas tua fonte
cujas gotas
agradam o forasteiro

és muralha no oceano
castelo elevado
no horizonte
és Shakespeare
Baudelaire
és Gorki
e Andrade
és Goethe
e Espanca
és olhos de falcão
que irrompem sonhos turvos
e cai a cortina ciciante,
e as nuvens rodopiam

teu cume é soalho
de hóspedes itinerantes
onde cores e pássaros
exuberantes
se rendem

lugarejo de letras
acentos e cenas do ontem
em nota de rodapé

páginas incutidas
soltam-se no acto
do conhecimento Divino

Povoação
simultânea a tantas outras
contudo
Património longínquo
Do poeta


(Naf)
05/04/2011