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junho 06, 2011

a quimera perdida


desde que te conheci
a erva do meu jardim
cresce mais depressa

as joaninhas
andam mais confusas
e perdem-se no caminho para casa

os reflexos de ontem
misturam-se com a saliva da eternidade
do hoje

desde que te conheci
o mundo gira ao contrário
e o horizonte está ao alcance de um dedolhar apontado

a quimera antes perdida foi achada
ao ladrilhares o meu coração
com os teus suspiros

NAF
02/06/2011

está na hora


está na hora 
do perdão
e da caridade 

é urgente
lavar as costas
com sabão

e dar um mergulho
no mar morto

de planear
uma escalada ao monte
das oliveiras

está na hora de tentar

é mais uma possibilidade
para encontrar a cruz
que se prova vazia

ou apenas
abraçar
acolher
recolher
e só isso mesmo

de se dar
e não receber
e não querer o sim
mas o não que não se quer

está na hora
das bandeiras brancas

está na hora
de abrir as mãos
e continuar
com o intérprete da cruz
na minha boca


NAF
02/06/2011