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agosto 18, 2025

asas gastas

Mais uma noite, no adormecer nas palavras

Vêm como libelinhas que me 

Resgatam dos silêncios,

Aqueles que me são voz.

Abismo senhor de todos os ecos.

Soletram desejos desencontrados no tempo.

Se um dia 

Procurares por mim

Não sigas o meu rasto 

Pela madrugada

Vivo com a lua

E bebo das estrelas 

Que suspiram à noite.

Serei aquela brisa de outono

Que que te alcança e 

Desvenda  

a quietude das sombras.

Como um pássaro a motor 

Na metamorfose das 

Asas gastas

Quando sussuras de noite

Serei o respirar que 

Desvanece 

Silencioso e brilhante

Um pólen de fogo

Descendo à garganta

Rumo à nascente 

dos teus segredos mais

sombrios



 

naf

arma branca


Uma folha que cai

E se despede do mundo

No deslizar do tempo

Sem passado nem futuro

De partícula em partícula

Como verso misterioso, 

Numa floresta de espanto

Onde não é preciso

Inventar o sol.




naf

maio 13, 2024

A ponte






Aqui na terra,

O abate das árvores continua 

Falamos de um Deus

Porém, não conhecemos o hálito

Das flores 

Usamos verniz em mãos

Mortas na caridade

E um belo topo de gama

Como pódio nos lugares da vida 

Temos desejos de vinganças e poderes mas não temos tempo

Para respirar. 

Somos cosmos, abismo e deserto. 

Mas não sabemos ser 

Ponte

E abraço. E raiz.

Aqui na terra,

O abate das árvores 

Continua.


naf

Favo de luz

 

.


Eras nativo da brisa 

do mar

Dançavas na areia 

Subtil altar


qual bica 

Leve incandescente 

fonte viva

Cristal ardente  


Depois veio 

A palavra, 

Qual punhal,

Insegura

navega 

Como gesto

Cruel e impura 


Palavra que fala 

Guerras,

Dores e 

Doçura 


Desperdiças

Silêncios 

Sem pé nem bravura


Até se tornar

Antiga, 

Morta, sem cura.


E despertas!

No rugir 

Do canto 

Lírico enaltecido 


Favo de luz p'lo

Artesão esculpido 


Nativo da brisa

Do mar

Serás 


  


.


naf

10-05-2024







agosto 19, 2023

Poema XXIII



Era noite,
Perdi-me nas lágrimas 
Da humanidade. 
Pedi
que a chuva diluísse nos seus
olhos 
um eco de orvalho
Pela madrugada.
E levasse marés de mar que em Teus passos
Habitam, com o
Odor a lavanda destilada.
O gelo da ausência do 
Adeus
Nas mãos da pátria umbilical 
Serão feitas todas as
Vontades dos homens?
De onde ouvirás:
Assim na terra como na terra.
E ao pó voltarás.


Naf

Aos arrozais



Foi para ti

que cultivei a goma

do riso

Lembras-te?

Na pátria dos esquecidos

Para ti 

desfolhei

Colhi, aguardei 

todos os sentidos

adormecidos 

do estandarte vitorioso

minha miragem

como gomos de ausências na alma traçados

Por ti achei e minei

as frestas (fria)mbulantes

do tempo 

esse carrasco que se diz senhor

da dor

Como sabes,

soltei todos os perfumes da terra

que velei

na tua goela longínqua 

e encontrei-me 

Perdida

em ti cingida sem peito

dando voz ás mil águas

Da nossa foz

onde te Incluo 

Incólume 

fluente caudal 

supremo

de vida.


Naf


dezembro 12, 2021

Renascer


Quão difícil é 

Voltar a morrer

Resgatar a luz 

Ouvir do céu

         Beber das nuvens

Só algo assim 

Não terá fim.

Na recusa da cobardia

Decapita

O vazio no caminho

Que traça 

Felizes os que morrem, 

E renascem 

Sempre que necessário. 

Deixando os velhos trapos 

Arderem em si mesmos

Sem o desperdício

De uma lágrima


Naf 

março 20, 2020

A Distância


Hoje estavam todos presentes, uma espécie de aversão no olhar
pela presença do potencial assassino mascarado

Tive uma sensação de voar por cima desta cena e do alto olhar para mim mesma

Vivemos o tempo do medo da sombra
Hoje os beijos e os abraços tornaram-se letais

Armamo-nos em fortes
Fazemos piadas mas no fundo receamos a fome, o fechamento, a perda e a morte.

É obvio que ninguém o admite
Mas os olhos não enganam

Não existe nada que diminua mais a imunidade que o medo

Por certo que um dia na vida do vírus corresponde a centenas ou milhares de anos para a humanidade.

Não nos esqueçamos que há famílias que apenas conseguem comprar o pão nosso de cada dia.


agosto 23, 2019

Sombra


Vamos
praticar o amor

Gritaste

Jardina-me
As feridas

Também
Eu
Pensei
Saber fazê-lo.

Por causa
Dos ancinhos
mendigos
D' alma

Desapaixonei-me.


©Naf  .   22-08-19


[Quaisquer coincidências com a ficção são pura realidade.]




agosto 20, 2019

Alfa


Baixou-se a cortina
Fez-se luz.

Transformem-se
As dores
Em retinas

Trombetas em peregrinação 

Aguadas de salitre
Reciclando-nos
Em gargalhadas

Fúteis 
Fora de época 
Rotas, podres
E dispersas

Se possível 
Com poderes especiais
Que ressuscitem
A própria
morte 

Celebre-se a inimizade 
Na ciranda 
Da loucura dos
sentidos. 
Pois então?

Só de Deus
Só espero. 
Só 
Sozinha na pele 
Abandono-ta.

Foguetes 
sinos roucos 
altivos
Fustigados, serenatas
Trôpegas

Em vão Bemmequer
Malmequer

Pelo ópio 
Da palavra disponho 
Dispenso

Velório de
Granizo
Enfadonho

Engulo os céus 
E a terra

E num derradeiro pensamento 
Regurgito.
____

Salvem-se 
As flores!
Por favor.

Fim

©Naf  .  13-08-2019



[Quaisquer coincidências com a ficção são pura realidade.]

Ilustração:  Dorota Gorecka


julho 30, 2019

Poema do acaso


Vem, antes que a luz se apague.
dispõe-te a ser combustível
nesta escuridão
de melodias insípidas
e caminhos agrestes,
onde andas sem mim.
Vem calçar os meus pés
nos teus sapatos rotos e
rirmo-nos entre as 9 e as 15
contarmos juntos as andorinhas
talvez, e pronuncio
fazermos um exame ao número de células que existem nos teus lábios
Despidos de fluxo sanguíneo
(Se quiseres.)___ Se vieres, não venhas promolgar despedidas ou desmedidas
Manifestações de amor
Não!
Mas sim, quando vieres lembra-te!
não quero flores, nem embrulhos que o tempo corrói e acabarão por se apagar
Quero sim que venhas inteiro e livre
Cheio de dias para me dar
E um sol descoberto
De trevas
Antes desta luz se apagar.

©Naf


[Quaisquer coincidências com a ficção são pura realidade.]

julho 04, 2019

Criação I

Meritíssimo
Peço-lhe que tenha em consideração
A minha voz,
Não sorvo ervas daninhas
Nem me lembro 
Dos cardos zarolhos
Que são cena de gatilho sem cravo
Tracem-me um abraço previdente
Pois sou ser que não habita 
Em rede de peixe comum
Puseram-me antenas e devastadoras
Etiquetas de grinalda 
Com código de barras para quem quisesse ver 
Aos poucos tentaram invadir as
Larguras do infinito 
Sem contar com a ré ao pagamento 
Das suas próprias mãos
Pois sim, agora sou eu que me cruzo
Em caso de dúvidas 
Absolva-me.
Despeje o coração
Nas palavras
Pois sou mulher
Em construção.
E sismo de magnitude
Elevada.

Naf

[Quaisquer coincidências com a ficção são pura realidade.]

março 25, 2018

Um dia irei voar sobre as asas do vento. Poderei finalmente dizer regressos, ver destruídos todos os tic-tacs que me separavam de ti. E falar-te isto e falar-te aquilo, sentar-me ao teu colo sem dúvidas nem teologias. Um dia poderei beber grinaldas de céu e para que me lembre, lançar-te-ei mil suspiros de bem-querer com os meus cabelos, e se me deixares, faremos uma festa, cantaremos vitórias e secarás todas as lágrimas, restarão corações despidos e luz.
Tarde te amei, procurava-te por todo o lugar do lado de fora, e eis que habitavas dentro de mim. Tu chamaste-me, e o Teu grito rasgou a minha surdez. O mundo inteiro deveria saber que é proibido engolir a morte, não amar como uns, não crer como outros, contudo partiremos, como todos partem. Um dia____

©Naf
23-03-2018

março 24, 2018

Dialectos

O amor
baseia-se na força
de quem lapida oceanos
Engole montanhas
E contudo, chora.
Lágrima
talhada no lapidar desenfreado do tempo,
escassez dos membros da
Fauna, gota
envolvente seda
E
faz brotar rosas nos olhos áridos.
Quem pare o amor
Respira dialectos de saber
Ser
E se for,
Dicionário efêmero e universal
necessário à sobrevivência da espécie
Ou uma nova espécie de sal
E Luz
Talvez bússolas ou mapas nos ajudem,
Ou talvez não
E seja apenas necessário
O beijo da palavra e
a pluralidade
de quem abraça com o coração.


©Naf
03/2018

março 20, 2018

À noite tudo dorme menos o teu nome. Continuo a trocar mil estrelas para te dar o céu inteiro porque nas águas deste rio silêncios engomados a ouro são como os beijos que cometemos juntos. E tu, Poesia.

©Naf

julho 11, 2014



Onde
estavas
Tu
quando
te conheci?
templo
pioneiro
envolto em
acrobacias aéreas
tão só(mente)- me
pois já se passaram
longos dias
e
também me disseram
que há corações que
Nascem
para ser título
enredo e capa
do próprio
Amor.
Agora,
qual pardalito sonhador
retiro-te
o peso das asas quebradas
prenúncio
ao canto aninhado
das aves sem dor
e elevo-te
nenúfar
Sob a minha
Pele.



©Naf
10/07/14

junho 23, 2014

Poema



Hoje,
nas portadas
da memória
derreti-te branco,
a cor
que te desvenda
o sorriso.

Amanhã, sim
serão papiros e letras
e chão
medieval
ciclónico
E paz
rega
ou pose
mediática
negativo
a preto e branco
sobre cores silvestres

E estupidamente
perfeito
darás à luz esse sonho
se tão perto soburdinarmos
as noites
a Mercúrio
que treme
abulindo

todas as rotas
migratórias
da saudade.





©Naf

15/06/14

março 17, 2014

Ponto de luz



Se regressar,
será aos teus olhos
por acaso ardem nos lábios,
coincidências?
como os acasos ardem para sempre
E, a outro rio
sob outras sombras, regresso
devagar, para que as margens não morram
como morri de outras vezes
E choro como quem procura
grito como quem lambe os sentidos
suspensos na tua boca
Arranquei os meus olhos para ti
que ao longo do teu corpo viviam
e morriam, todas as estrelas
A noite essa, partira
devagar acordo-te.


©Naf
17/03/14




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janeiro 17, 2014

oxigénio




tentei fugir-te na noite
mais escura que há na solidão
antevi a lonjura dos nossos beijos,
desisti.
era como a dor de morrer
e ficar sem sepultura
bebi dos quartos interiores
a loucura de não poder ficar longe de ti
procurei-te à noite
e à noite saí, bebi dos teus beiços
o cheiro a fruta que veste de frescura
a escuridão
só dentro de ti rebentam todas as ciências
do oxigénio, tricotado a segredos
só dentro de ti se levanta em alta voz
o que sem som, brota do coração.


©Naf
6/2013




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julho 24, 2013

Aurora boreal



dá-me um colo onde possa adormecer nua
nesse lugar onde os lírios cantem
e te saibam sempre por perto

a gosto de aninho entre os teus dedos
e onde guardarás numa caixinha
o beijo repetido nas palavras

dá-me mãos inteiras que se multipliquem no tacto
e uma manhã e outra
de suor como se fosse dilúvio

e eu dar-te-ei um aconchego
do tamanho de uma casa.
e retirar-te-ei as asas fartas da solidão

Vamos! gastemos depressa o tempo, perca-mo-nos
que o mundo nos caia para dentro do silêncio
que lá fora a realidade é o nosso espaço, por inteiro.



Naf
(26/05/2013)


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